Depois eu leio

Músicas sem sentido | Jan 14th 2007

Cheguei a conclusão que músicos que tem pelo menos uma música cuja letra não faz o menor sentido tem mais chances de virarem cult. É como se fosse um pré-requisito para o sucesso: faça uma música legal, coloque uma letra non-sense e pronto, terás duas facções de apreciadores. Os que fingem que entendem o que o cara quis dizer, e os que simplesmente sabem que a letra não fala nada com nada mas é legal pra caramba e pronto.

Uma das coisas mais divertidas é tentar entender o que se passava na cabeça do compositor quando fez a música. Têm músicas que por mais que a gente se esforçe, não tem como achar uma lógica ou coerência no que está sendo cantado, é uma brisa que no máximo você chega perto de acertar o que o cara tinha tomado pra chegar no estado de escrever aquilo. Dependendo de onde vai a sua própria loucura…

Um exemplo é essa do Beto Guedes:Beto Guedes

Feira Moderna

Tua cor é o que eles olham
Velha chaga
Teu sorriso é o que eles temem
Medo medo
Feira moderna, um convite sensual
Oh! telefonista, a palavra já morreu
Meu coração é novo
Meu coração é novo
E eu nem li o jornal
Nessa caverna o convite é sempre igual
Oh! telefonista se a distância já morreu
Independência ou morte
Descanse em berço forte
A paz na terra, amém

Vamos tentar entender por partes. Primeiro ele fala da cor do cidadão e do sorriso temido por algum adversário, e dá uma referência que remete ao racismo ou ditadura ou sei lá o que de opressão que dá pra encaixar no contexto. Ou o cara é feio pra caramba e o sorriso colgate espanta até vampiro.

Depois entra o tema “feira moderna”, parece ser algum movimento ou tendência de alguma época tipo a tropicália (posso ter passado longe no chute, me corrijam) mas, me perdoem expor na internet minha ignorância, sei lá o que é isso. Me expliquem por favor.

Se a gente se esforçar, tem um pedaço que faz um pouco mais de sentido: ele discute espantado com a telefonista que a palavra já morreu, e nem deu tempo de ler o jornal. Ok, algo com a censura talvez, mas pra que eu entendesse a referência 100% ainda seria necessário desenhar com laranjas e bananas na lousa todo o contexto.

Daí pra frente passamos a ter certeza que ele não está nem aí pra lógica. O que uma caverna (mito da caverna de Platão talvez?), uma telefonista, a cor, o sorriso, um convite sensual, a paz na terra, independência ou morte e jornais tem em comum? Há tá, é que o coração dele é novo… Agora faz sentido!

Enfim, pra quem gosta de MPB é uma música muito legal (eu gosto muito). Mas eu pelo menos não estou no nível de abstração ou erudição, ou sei lá o que precisa pra entender o que ele quis dizer.

Se formos pegar músicas internacionais então, aí já até imagino o Sr. Spock dizendo “isto é ilógico”. Se não entendemos nem letras que saíram de pessoas com bagagem cultural mais próximas da nossa, imagine dos doidos dos países caóticos lá no resto do mundo. Daí surgem nossas risadas quando vemos as famosas “letras traduzidas” que rolam nas revistinhas por aí (ainda existe isso?).

Sr. Spock expressando o quanto foi engraçada a piadinha


Posted in Nada

1 Comentário »

  1. Vamos por partes:

    Sim, a Cicarelli é rampeira e babaca… Tem que ser que nem Pamela Anderson e Paris Hilton no contexto: vai ser filmada, então que mostre tudo… Nem da pra ver nada…

    Outra: filme do BATIMA??? Que filme de puta paga… hahahahah

    Agora o melhor: realmente muitas músicas cults são para mentes além da nossa (ou abaixo, depende do contexto também)… Porém como me ligo muito na música (instrumental em si), se for bom, to ouvindo… Sinceramente nunca parei pra analizar letra alguma, que falasse coisas inteligentes ou burras… Sei lá…

    Da hora ler seus posts de novo!!!

    Comentário por Fernando Cruz — 16 Janeiro, 2007 @ 9:40 am


Diz alguma coisa?RSS dos comentários URI do TrackBack

    del.icio.us